Racismo e anti- Racismo no Brasil
Nesta aula falamos sobre o racismo no Brasil e
o seu modelo de hierarquização, que faz com que algumas pessoas se aproveitem do
poder que lhe é constituído, para oprimir o outro. Diante disso vale a pena
falarmos um pouco desta história.
Bem, no Brasil
diferentemente de alguns países compostos de apenas uma etnia, como no caso dos
muitos países europeus a utilização do termo raça não está incluída no
vocabulário erudito, sendo utilizado com frequência pelos grupos do movimento
negro, onde as pessoas que limitam se sentem discriminadas por sua cor e
aparência física. O conceito de raça por
alguns estudiosos era usado somente sob uma perspectiva biológica, que atribuía
a utilização do termo às situações nas quais era importante evidenciar
diferenças advindas de fenótipos, que se baseiam em argumentações genéticas e
naturalistas. A priori o termo raça era utilizado para classificar os animais,
como cães e etc. Mas tarde o conceito de raça adquiriu sentido biológico passa
a ser usado para caracterizar as espécies de seres humanos, caracterizando-se
posteriormente a isso como um termo utilizado para apresentar as subdivisões da
espécie humana diferentes apenas porque os membros estão isolados dos outros
indivíduos pertencentes à mesma espécie. Após a segunda guerra mundial os
fenótipos físicos ganham sentido social por meio de crenças, valores e
atitudes. O debate sobre conceito de raça bem como relações raciais,
estreitou-se com o passar do tempo.
O
racialismo, surge justamente como a doutrina na qual o mesmo acredita como
importante recorrer, entendendo que a mesma facilitará a compreensão dos casos
teóricos e metodológicos das relações raciais. O racialismo trata de uma
essência racial que para além de características físicas compreende
características sociais como cultura e utiliza diferentes regras para traçar
filiação e pertença grupal a depender do contexto histórico, demográfico e
social. Sendo assim o conceito de raça não faz sentido senão no âmbito de uma
ideologia ou teoria taxonômica.
O
racismo está atrelado a nossa estrutura de sociedade hierárquica que utiliza-se
de um conceito naturalista para estabelecer as diferenças socioculturais que
permeiam o contexto da realidade brasileira . Por esse motivo o conceito de
raça e racismo deve ser vistos sociológica e não biologicamente.
Por
acreditar estar vivendo numa democracia racial, o racismo no Brasil se
caracterizou como um tabu. Ficou em evidencia como a cor da pele bem como as
tonalidades da mesma, sempre foi usado no país levando em consideração o
contexto histórico prático no cenário político brasileiro.
Foi
constatado que no Brasil ser negro não era determinado pelo sangue, mas
prioritariamente pela cor da pele que estava diretamente ligada com classe e o
status social. Quanto mais escuro, “preto”, mais pertencente a “ralé”.
O
racialismo trata de uma essência racial que para além de características
físicas compreende características sociais como cultura e utiliza diferentes
regras para traçar filiação e pertença grupal a depender do contexto histórico,
demográfico e social.
Com
a substituição da ordem escravocrata por uma ordem hierárquica, a cor passou a
ser uma marca de origem, um código cifrado de raça como dito acima e cedeu
lugar, depois da independência do país, à ideia de nação mestiça, cuja
cidadania dependia do lugar de nascimento e não de ancestralidade. No Brasil o
sistema de hierarquização social consistia em gradações de prestigio formadas
por classe social, origem familiar, cor e educação formal. Sustenta-se e
reforça-se assim a ordem escravocrata na qual: branco está para elite e povo
está para negro. Pode-se dizer que no Brasil o “branco” não surgiu pela mistura
étnica de povos europeus, como ocorreu, por exemplo, nos Estados Unidos; muito
pelo contrario considerava-se branco também os mestiços e mulatos claros, que
podem exibir os símbolos dominantes dos europeus, que tenha formação cristã e o
domínio das letras.
A
nação brasileira foi concebida sob uma conformidade cultural em termos de
religião, raça, etnicidade e língua. O racismo brasileiro nesse contexto, só
poderia ser heterofóbico. Tal racismo originou-se
durante o período pré republica no qual associa um determinado grupo por cor/
regionalidade a uma classe subalterna e/ou inferior. As políticas públicas no
país advinda de uma elite racista que se orgulha dos “avanços” alcançados pelo
país, muitas que vezes mascaram um racismo por traz de uma política antirracista.
Hoje nós vemos a má utilização do termo raça que passou a significar no país
“garra”,“força” e “preconceito”.
Por
fim fica evidente que a teorização de raça serve como instrumento apto no
Brasil para revelar condutas políticas equivocadas que perduram o cenário
brasileiro. As influências de uma história sutilmente segregadora que ainda não
foi banida da nossa atualidade uma ordem hierárquica ; pelo contrário tal ordem
se mantém por meio de normas e leis baseadas em uma pseudo igualdade entre os
indivíduos.

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